quarta-feira, 22 de abril de 2009

Era Uma Vez

Era uma vez um gestor que tentou ajudar a resolver um problema e que se meteu num sarilho que lhe servirá de lição para nunca mais se meter noutro.
Este cidadão, irá amanhã, mais uma vez, a mais uma sessão de julgamento (a 1ª ou talvez não), de uma empresa por onde passou (nomeado pelos credores).
O principal credor – o estado – nomeou uma comissão administrativa (em meados de 2008), de que fez parte, para acompanhar a gestão da empresa enquanto se ultimava um pertenço negócio de venda da empresa a uma grande empresa do sector.
A empresa já não pagava impostos desde há muitos anos e portanto a dívida era superior a 5.000.000€.
No final de 1998 e perante o facto de o negócio não se ir realizar, e decorrente do facto de haver uma total incapacidade da empresa satisfazer o seus compromissos, nomeadamente com o Estado, (facto que já era estrutural) e após sucessivos pedidos de ajuda ao Juiz do processo, através de sucessivos requerimentos a empresa encerrou a sua actividade.
Os membros da Comissão Administrativa ficaram totalmente com a “criança” (ou monstro) nas mãos.
Com o último dinheiro recebido contrataram uma empresa de segurança para salvaguardar o que restava de património da empresa e continuaram, mesmo após a demissão, a produzir requerimentos ao Juiz do processo com o intuito de os credores (o Estado) verem minimizado o seu imenso calote.
E nada aconteceu.
Convocaram também os antigos sócios e nada, obviamente
Os factos (dividas ao fisco) são de 1998 e os membros da Comissão Administrativa foram constituídos arguidos em 1999, salvo erro, pelo simples facto de não terem conseguido dar o toque de Midas.
Isto é, passarem a pagar os impostos de uma empresa que já não os pagava há anos, por manifesta incapacidade de o fazer, e por isso andar permanentemente a fazer concorrência desleal com as que cumpriam os seus deveres.
Só por lá estiveram menos de 6 meses, tempo manifestamente insuficiente para a realização de qualquer alteração estrutural numa empresa, que ainda por cima tinha problemas gravíssimos em todas as áreas.
Desde aí e após terem solicitado a abertura de instrução onde a Juíza despachou com um laconismo fantástico, tipo - parece que de facto não existe crime, mas o tribunal irá decidir sobre isso (para quê a instrução?) começou a parte trágica ou cómica.
Já perderam a conta as vezes que se tiveram de deslocar ao Tribunal, ainda por cima fora de Lisboa.
Ao tribunal vão os arguidos (os membros da Comissão Administrativa e o sócio gerente) e uma multidão de testemunhas, entre as quais antigos Secretários de Estado, funcionários do Estado, alguns dos quais entretanto reformados em face do tempo já passado e, obviamente, os indispensáveis advogados.
Sempre que se desloca esta multidão ( a última vez já no início de 2009) o julgamento é adiado por razões inacreditáveis, sendo que, por alguma razão, falta sempre notificar alguém.
Quanto custa isto ao Estado e aos envolvidos?
Assim vai o nosso País e a nossa Justiça.
Será do País ou será da Justiça?
Para mim é das pessoas que atingem postos vitais fruto de deficiência de avaliação de competências.
Dou por mim a pensar a razão desta situação e só uma palavra a descreve – incompetência.
E de que nível de incompetência estou a falar?
A que existe ao mais alto nível e que é estrutural e que dificilmente se resolverá no curto prazo.
Que me desculpe quem ler estas linhas, mas mesmo sendo um optimista e com imensa alegria de viver, por vezes estas situações cruzam o meu caminho.
E assim vamos todos cantando e rindo, qual Maria da Fonte.....
O que vale é o clima!
Será????

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